Edemar Cid Ferreira, fundador do falido Banco Santos, morre aos 80 anos.

Edemar Cid Ferreira, que era banqueiro, faleceu neste sábado aos 80 anos. Ele deixa esposa, Márcia, e três filhos: Rodrigo, Eduardo e Leonardo. Ele estudou economia e começou a trabalhar com finanças na década de 1960. Fundou uma corretora em Santos que negociava muito café.

O Banco Santos foi assumido pelo Banco Central em 2004, quando foi descoberto um déficit de R$ 2,2 bilhões no banco. O banqueiro foi preso por fraude em 2006 e pegou 21 anos, mas foi libertado. O tribunal mudou de ideia mais tarde. Em 2020, sua antiga casa no bairro do Morumbi, em São Paulo, foi leiloada por R$ 27,5 milhões para pagar as pessoas a quem devia dinheiro.

Pessoas que o conheceram bem disseram que os três filhos de Edemar não tinham muito a ver com os negócios do pai e ainda não se sabe o resultado dos muitos processos que ele abriu contra os dirigentes do Banco Santos após a falência. Ele teve a mente lúcida até falecer e passou a vida tentando mostrar que seu banco estava indo bem e só faliu por causa das ações do Banco Central. Ele não podia usar nenhum de seus bens, então contou com a ajuda dos filhos nos últimos anos.

Carlos Chagas, advogado que conheceu Edemar em 2013, quando este era responsável pela liquidação de uma das seguradoras do banqueiro, disse: “Ele se dedicou 24 horas por dia a isso, não fez outra coisa da vida além de combater esses processos, reunir documentos. Mais do que o dinheiro, ele queria resolver a questão, disse que depois não ia voltar a ser banqueiro, que não ia, não queria mais administrar carrinho de picolé”,

Edemar foi contra um acordo que a massa falida fez com a família Veríssimo, dona do shopping Eldorado. “O acordo negociado entre a massa falida e o Grupo Veríssimo no valor de R$ 120 milhões é ilícito e resulta em redução indevida de 95% no valor total da dívida”, disse a defesa do ex-banqueiro. “Mesmo que seja aprovado, tal ato não é definitivo, haja vista que iremos recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo e ao Superior Tribunal de Justiça solicitando a anulação do acordo.”

O Banco Santos era um dos maiores bancos do Brasil no início dos anos 2000 e Edemar era um dos banqueiros mais ricos. Ele tinha uma mansão famosa, no Morumbi, projetada por Ruy Ohtak. Janguiê Diniz, que fundou a Ser Educacional, comprou-a há quatro anos. Edemar também colecionou arte e teve 719 peças que foram leiloadas em 2016. Alguns dos artistas foram Brecheret, Tarsila do Amaral, Frans Krajcberg, Bruno Giorgi, Franz Weissmann, Jean-Michel Basquia, entre outros.

Edemar Cid Ferreira,

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